As dietas nos resumiram a números?

 *André Pellegrini

 A nutrição manteve seu foco em números durante muitos anos – redução de X kg, contagem de calorias, baixa do IMC de 30 para 25 etc. Contudo, pessoas não podem se resumir a isso. Não somos máquinas que podem ser explicadas por números e fórmulas, somos movidos a sentimentos e, quando o assunto é alimentação, o que nos move é o prazer. Com a paranoia dos números, esse sentimento passou a ser de culpa, frustração e ódio.

Precisamos voltar a sentir prazer com a comida. Isso não significa comer apenas pastel e brigadeiro, até porque, segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados pela pesquisa Vigitel 2010, 48% da população está acima do peso. Precisamos voltar a permitir que alimentos que todos rotularam como proibidos voltem à nossa dieta. A busca por produtos que não contribuem com o balanceamento da alimentação deve ser visto com muito cuidado. São exemplos: doces, frituras e gorduras, que fazem parte de um paladar infantil e por uma questão de educação nutricional inadequada se mantém durante a fase adulta.

 O apelo atual tem por objetivo mexer com os nossos conceitos desde o início de nossa vida – melhor ainda – não apenas da nossa vida, mas também, dos que estão começando a ser educados agora. Se nossos filhos crescerem em um ambiente que valorize as refeições como uma reunião em família, realizada sempre em um ambiente calmo, sem pressa, com a oferta de alimentos adequados e na quantidade adequada, então já estaremos dando o principal passo para que essa criança não precise se preocupar com os “números nutricionais” que todo adulto preza sem nem saber direito o porquê.

 As dietas da moda nos ensinam como perder o controle do peso, temer certos alimentos e a deixar de ter prazer com a alimentação. Mas todos sabem das consequências dessas dietas. Elas nos fazem perder peso por meio da restrição de alimentos, mas nunca chegam ao resultado esperado. Muito pelo contrário, como elas são muito difíceis de serem seguidas, nossa tendência é de sabotar a dieta e reintroduzir alimentos “proibidos”, muitas vezes em quantidades inadequadas, fazendo com que a redução de peso seja revertida, o que gera o “efeito sanfona”. O resultado é redução do colesterol bom, o aumento da porcentagem de gordura, redução do metabolismo, aumento da glicemia, entre outros fatores. Logo, por causa de uma preocupação excessiva com os números, somos obrigados a nos preocupar com outros, muito mais importantes, como a taxa de colesterol, a circunferência da cintura e o IMC.

 É claro que o peso excessivo deve ser motivo de atenção, mas se mesmo com uma dieta adequada e com os exames médicos em dia o seu IMC estiver acima do recomendado, provavelmente isso indicará que esse é o seu peso ideal. Não é porque você e seu vizinho têm a mesma altura que vocês devem ter o mesmo peso.  

 Mais do que ficar atento a números que não analisam a pessoa com as inúmeras características que diferenciam umas das outras, é preciso estar atento às suas necessidades. Buscar a ajuda de um profissional que possa indicar e montar um cardápio balanceado e não um cardápio restritivo. É possível, sim, se alimentar bem comendo de tudo um pouco. Certamente alimentos como arroz e feijão, verduras e frutas e, por que não, doces e frituras, estarão no seu cardápio em quantidades suficientes. Afinal, é preciso voltar a ter prazer com a alimentação.

 * André Pellegrini é nutricionista do Centro de Bem-Estar Levitas.

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